Foto: Vinicius Becker
A tão esperada e cobrada duplicação da Faixa Nova de Camobi, em Santa Maria, pode avançar ainda neste ano. É o que prometeu o secretário de Transportes e Logística do Rio Grande do Sul, Juvir Costella, em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, na manhã desta quarta (11). Ele afirmou que o governo pretende concluir o projeto até o primeiro semestre e encaminhar a obra para licitação ainda em 2026. Costella está na região para acompanhar outras obras e dar a ordem de início à terceira e última etapa do asfaltamento da estrada de Santa Flora.
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Segundo Costella, o projeto prevê a duplicação de 9 quilômetros da chamada Faixa Nova de Camobi, entre os trevos da rodoviária e do aeroporto, com investimento que deve ultrapassar R$ 200 milhões, considerando as obras e as desapropriações necessárias.
— O maior problema desses 10 km são as desapropriações. O projeto praticamente está totalmente finalizado e queremos, até o final deste semestre, ou seja, por volta de junho, estar com ele encaminhado para licitação. É uma obra que ultrapassa os R$ 200 milhões. Se a gente pegar assim, “mas são só 10 km”, sim, porque entre desapropriações e obra de duplicação o valor chega a ultrapassar os R$ 200 milhões — afirmou.
Apesar de Costella falar em 10 km, o trecho tem 9,6 km de extensão, do trevo da rodoviária até o do aeroporto.
Desapropriações foram principal entrave
De acordo com o secretário, o processo de desapropriações foi o fator que mais contribuiu para o atraso do projeto, que vem sendo discutido há alguns anos.
— Esse debate já vem praticamente há três, quatro anos e, se podemos usar a palavra atraso, ele ocorreu exatamente pelas desapropriações. Há um processo de negociação para que não haja judicialização. Quando chega numa judicialização, o Estado precisa fazer o depósito judicial do valor avaliado da área para poder desapropriar e dar continuidade à obra, porque o interesse público muitas vezes é maior que o interesse individual de uma área desapropriada — explicou.
Apesar disso, Costella afirmou que a maior parte das questões já foi resolvida.
— Acredito que, hoje, está sanado 99% desse maior problema que seriam as desapropriações. Por isso, esperamos concluir o projeto até a metade do ano e encaminhar para licitação ainda em 2026 — disse.
Obra pode durar até três anos
Questionado sobre o prazo para fazer a duplicação, o secretário disse que deve ser uma obra de médio prazo e pode levar até três anos para ser concluída após o início dos trabalhos, sendo possível concluir na próxima gestão do governo do Estado.
— Eu diria que é uma obra com previsão de até 36 meses. Ela pode ser concluída em 24, 26 ou 28 meses, dependendo das condições. Hoje enfrentamos um novo sistema climático no mundo, e isso também influencia no andamento das obras. Mas é uma obra de mais de um ano, certamente — afirmou.
Costella também indicou que a execução da duplicação deve ocorrer já no próximo governo estadual.
— O próximo governo terá a responsabilidade de começar e de terminar. O importante é que ela estará com o projeto pronto e licitada para que o governo seguinte decida quando inicia e quando entrega — acrescentou.
Duplicação é considerada estratégica para a cidade
O secretário estadual de Desenvolvimento Social, Beto Fantinel, destacou a importância da obra para a mobilidade de Santa Maria, principalmente pelo grande fluxo de veículos no acesso ao Bairro Camobi e à Universidade Federal de Santa Maria.
— O secretário (Juvir Costella) pode perceber agora pela manhã a importância dessa duplicação da Faixa Nova de Camobi, porque é uma faixa com fluxo intenso de veículos. É uma obra importante para a mobilidade de Santa Maria e também prevê ciclovia para melhorar a segurança de quem usa bicicleta para chegar até a universidade — afirmou.
Fantinel também destacou que outras obras de infraestrutura estão em andamento na região e que os projetos executados pelo governo têm previsão orçamentária garantida.
— Todas as obras que a gente construiu juntos aqui com o secretário Costella têm orçamento e têm a garantia do governo de serem entregues — disse.
Ajustes solicitados por UFSM ainda são analisados
Durante a entrevista, Costella também comentou pedidos de alterações no projeto apresentados pela prefeitura e pela Universidade Federal de Santa Maria, principalmente no trecho do trevo de acesso ao campus.
Segundo ele, as solicitações estão em análise pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) dentro do projeto executivo.
— Em uma avenida como essa de Camobi, que vai se tornar uma via duplicada com alto fluxo de veículos, nem sempre é possível atender todos os pedidos de acesso. O projeto precisa seguir critérios técnicos e pensar em uma obra para os próximos 50 anos, não para cada ano precisar de uma modificação — afirmou.
Projeto acumula atrasos desde 2023
O prazo para conclusão do projeto de engenharia da duplicação da Faixa Nova já foi adiado diversas vezes. Conforme informou o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem ao Diário em janeiro deste ano, a nova previsão é de entrega até o fim do primeiro trimestre de 2026.
Inicialmente, os documentos deveriam ter sido apresentados em outubro de 2023 pela empresa Engemin, de Pinhais (PR), responsável pelos estudos técnicos. Desde então, já ocorreram cinco adiamentos no cronograma.
Em nota enviada na ocasião, o Daer afirmou que o projeto é considerado complexo por envolver uma área urbana densamente ocupada.
"O Daer informa que o projeto deverá ser concluído no primeiro trimestre deste ano. Os demais passos serão definidos após a conclusão do projeto. Lembramos que se trata de um projeto muito complexo, em área densamente ocupada, e atualmente os trabalhos estão focados na realização de ajustes" informou o órgão.
O projeto prevê três viadutos, sendo dois nos acessos à Universidade Federal de Santa Maria e um na Avenida Evaldo Behr (acesso ao Novo Horizonte), além de ciclovia, iluminação e calçadas no trecho entre os trevos da rodoviária e do aeroporto.
Confira a entrevista completa